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Cinco florestas para desfrutar do outono

Rebeca Cordobés

VEN A GALICIA

Devesa da Rogueira, na serra de O Courel.
Devesa da Rogueira, na serra de O Courel. CARLOS RUEDA

As rotas de caminhada e as excursões à procura de cogumelos ou castanhas são os
planos ideais nesta época do ano

12 nov 2021 . Actualizado a las 05:00 h.

Galiza terra de florestas. Um enorme pulmão verde que se torna ocre com a chegada da nova estação. O outono transforma a paisagem e veste de gala as árvores da comunidade galega antes do inverno lhes retirar a sua vestimenta. Uma explosão de cores que bailam ao ritmo da luz do sol e da qual apenas se pode desfrutar nesta época do ano. As rotas de caminhadas, as excursões à procura de cogumelos ou castanhas e as tardes ao ar livre são os planos ideais para aproveitar os últimos resquícios de bom tempo. É nesse sentido que lhe propomos cinco florestas galegas para desfrutar do outono.

Devesa da Rogueira

Devesa da Rogueira, na serra de O Courel.
CARLOS RUEDA

Tratando-se de floresta, o melhor é começar por O Courel. O pulmão verde da Galiza estende-se ao longo da fronteira com León, desde O Cebreiro até ao rio Sil. Uma serra de 20.000 hectares onde estão presentes todas as espécies vegetais, exceto as litorais, que habitam na comunidade. O maior exemplo dessa diversidade encontra-se nas devesas, as formações arborizadas típicas desta grande reserva natural.

A Devesa da Rogueira é a joia de O Courel. Uma floresta típica do atlântico que se caracteriza por albergar todo o tipo de vegetação. Subir ao cume do monte Formigueiros é a melhor forma de apreciar a diversidade de espécies. De plantas aromáticas típicas do mediterrâneo que formam a base da montanha até à zona de bosque cerrado onde os freixos, faias, teixos, azevinhos, tramazeiras e bétulas despem os seus trajes de folhas. Entre as suas copas, a luz do outono entra para oferecer uma dança de cores. Tão variadas como as árvores em que se refletem.

Fragas do Eume

Fragas do Eume no outono.
Ramón Loureiro

Embora as devesas sejam o máximo expoente da diversidade, as florestas atlânticas são o reduto onde a flora autóctone mantém todo o seu poder. A melhor representação encontra-se na província da Corunha, à beira do rio Eume. As Fragas do Eume conservam ainda o manto vegetal próprio desta zona, onde a espessura das árvores apenas deixa passar os raios de sol, criando um solo de musgo e folhas.

A essência das florestas galegas encontra-se neste parque natural sob forma de carvalhos e castanheiros. Rodeados de outras árvores de folha caduca como bétulas, amieiros, teixos e aveleiras, encarregam-se estas semanas de transformar a paisagem. Uma metamorfose que se sucede com cada troca de estação. Em si, o outono produz essa saudade do verde, à beira do rio pode ver outras espécies, como loureiros e azevinhos, que mantêm resquícios da cor mais prezada pelos turistas.

Fraga de Catasós

Fraga de Catasós, em Lalín.
miguel souto

De menor extensão, mas de beleza parecida, é a Fraga de Catasós. Situada nos arredores de Lalín, esconde carvalhos e castanheiros centenários de até 30 metros de altura. É certo que embora esta floresta apresente menos diversidade do que a do rio Eume, o seu valor encontra-se nas duas espécies autóctones que a conformam. As suas árvores esbeltas, que parecem rasgar o céu agora que as suas ramas se despem, têm a característica de serem os melhores castanheiros centenários da Europa.

O outono até traz mais magia a este ambiente de conto, onde Pardo Bazán encontrou o seu cantinho para escrever Os Paços de Ulloa. A escritora tinha parentesco com os donos da quinta, que plantaram as árvores que hoje protegem um tapete de ouriços e folhada. Um passeio ideal para toda a família.

Teixedal de Casaio

Teixedal de Casaio, em Carballeda de Valdeorras.

Se há uma floresta única na Galiza, é a de Teixedal de Casaio. Situada em Carballeda de Valdeorras, é o conjunto de teixos mais importante da Europa. Mais de 300 exemplares crescem, rodeados de outras espécies como azevinhos e aveleiras, no caminho até Pena Trevinca, o cume mais alto da comunidade galega.

O Teixedal de Casaio é considerado, além disso, o bosque mais antigo da Galiza. É o resquício de uma história muito anterior a Cristóvão Colombo, aos romanos ou aos celtas. Um lugar onde o tempo pára e apenas muda com as estações. Embora seja pouco acessível, o esforço vale a pena. Se decidir visitá-lo, poderá descobrir uma paisagem privilegiada, onde os raios de sol se infiltram entre as ramas tortas dos teixos e mudam o aspeto da floresta com o passar das horas. Um baile de luz que se intensifica no outono.

Faial da Pintinidoira

Mas se procurar uma explosão de cores, o sítio ideal é o faial de Pintinidoira. Um conjunto de faias de duas hectares rodeadas de um bosque misto, formado por esta espécie e outras árvores como carvalhos ou azevinhos. Trata-se do faial mais ocidental da Europa e está situado na montanha de Lugo, a 1.000 metros de altura e à frente da serra de Os Ancares.

Com o outono, a magia apodera-se deste lugar. As faias tingem-se de uma cor avermelhadas difícil de ver na Galiza. Antes de passar pela paleta completa de cores desta temporada e perder a sua vestimenta, a frondosidade das árvores cria figuras de sombra sobre o manto de folhas que cobre o chão. Um espetáculo digno de presenciar.